PUNCTUM

Exposição fotográfica

Antes mesmo de aguçar todos os nossos sentidos e nos comunicar amplamente, conseguimos reconhecer nossos pais, o local em que vivemos e tudo aquilo que nos rodeia pela observação. A partir daí, de maneira sinestésica, tato, olfato, audição, paladar e tantos outros sentidos começam a se conectar e, juntos, nos transformam em seres extremamente perceptíveis e sensíveis.
Isso tudo é vivenciado de forma simultânea. E, como num passe de mágica, de repente, está tudo conectado. Não nos lembramos, por exemplo, como aprendemos a ver. Cremos, inclusive, que ninguém nos ensina a enxergar. Passamos a compreender o mundo, identificar objetos, pessoas e tudo aquilo que nos cerca em um processo de leitura e interpretação de imagens quase instintivo. Mas, se tudo é tão espontâneo, por que ao nos depararmos com uma série de fotografias, algumas possuem elementos que fisgam o nosso olhar, enquanto outras passam totalmente desapercebidas. A resposta para este questionamento é justamente o que deu origem a exposição PUNCTUM.

PUNCTUM, na verdade, é um conceito estabelecido por Roland Barthes, que, de maneira bem abrangente, refere-se ao elemento existente em uma fotografia capaz de atrair o nosso olhar. Ou seja, ao nos depararmos com uma imagem fotográfica, muitas vezes, somos atraídos por aquilo que o fotógrafo considerou importante ser percebido por nós. Ao transpor o conceito de PUNCTUM para a realidade do Imaginário Coletivo – que atua em aglomerados de Belo Horizonte e utiliza a imagem para empoderar crianças e adolescentes através da prática fotográfica – quebramos o estigma e os pre(conceitos) amplamente difundidos sobre esses locais, fazendo com quem observe as nossas fotografias sejam induzidos e desconstruir as suas próprias convicções. O Imaginário Coletivo, então, direciona olhares e reconfigura a percepção do espaço. Na mostra PUNCTUM – que reúne retratos em grande formato, produzidos por jovens entre 10 e 13 anos sobre o cotidiano do Aglomerado Santa Lúcia (Morro do Papagaio) – isso fica latente, através da representação do cotidiano de um aglomerado repleto de peculiaridades que contraria, totalmente, o senso comum.

Imaginário Coletivo

Imaginário Coletivo

Fotografia para Transformação

O Imaginário Coletivo é um projeto com o objetivo de desenvolver ações que utilizam a imagem como vetor para promoção da inclusão social, através da fotografia e das artes visuais, na formação de crianças e adolescentes em aglomerados de Belo Horizonte.

O projeto possibilita o desenvolvimento de ações capazes de modificar contextos e espaços, imprimindo à fotografia o status de democratização da informação, instrumento de arte, reflexão e construção de identidades.

Morro do Papagaio

O Morro do Papagaio

Aglomerado Santa Lúcia

"O Morro do Papagaio são muitos morros. Sua composição engloba cinco comunidades e sua cultura é marcada pela diversidade. Na arquitetura convivem, lado a lado, barracões e mansões. No urbanismo, centenas de becos construídos pelos usos criam outras lógicas espaciais, na religião, profano e sagrado se misturam, com dezenas de templos católicos e evangélicos, terreiros de candomblé e o sincretismo das tradicionais benzedeiras. Na música escuta-se de tudo, do samba ao rap, forró, axé, duplas sertanejas e cânticos religiosos."

Trecho do Livro "Morro do Papagaio", da escritora Márcia Cruz.

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Fotos

Algumas Imagens produzidas por jovens com idades entre 11 e 13 anos de idade, que compõem a mostra "PUNCTUM"

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Apoio:

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